quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A Crise do Império 1870 - 1889




O ano de 1870 marca o início da crise do Império, que se prolongará até a proclamação da República, em 1889. 

Ocorre que o sistema escravista impede o crescimento vegetativo da população cativa, pois morre mais escravo do que nasce.

Portanto, o sistema escravista moderno era alimentado pelo tráfico negreiro, deixando de se reproduzir com a sua extinção. Vislumbra-se, pois, em médio prazo o fim da escravidão. A aristocracia enxergou isso, aprovando no mesmo ano de 1850 a Lei de Terras, que estabelecia que novas propriedades de terras só poderiam ser adquiridas pela compra. 

Essa forma, inédita no Brasil, onde desde as Capitanias Hereditárias se dava pela doação ou pela posse violenta, visava garantir que, no caso de abolição da escravatura, os ex-escravos não poderiam tornar-se proprietários. Previne-se uma eventual reforma agrária. 

Muitas serão as discussões e experiências, com diferentes resultados, mas a opção final se dará em torno da imigração européia. É que o imigrante branco europeu atendia a um ideal racista, esposado pela elite econômica e também pelo que se poderia chamar elite cultural, que atribuía nosso atraso à composição étnica inferior de nosso povo.

Esse arremedo de “darwinismo” atribuía o progresso da Europa à superioridade do homem branco, na escala da evolução da espécie humana. 

Decididos pela imigração européia como solução para as necessidades de complementação da mão-de-obra necessária à expansão cafeeira, resta resolver o problema do financiamento da imigração. É aí que se dá o nó entre a expansão econômica e a questão do poder político. O Império, escravista e centralizador, era um regime hegemonizado pela aristocracia rural tradicional, especialmente nordestina. 

Essa classe controlava as principais decisões políticas e econômicas do regime, ainda que estivesse em decadência econômica, sobretudo se comparada à ascendente burguesia agrária cafeicultora paulista. 

Sendo assim, haverá o conflito entre o centralismo do Império, que torna insatisfatória a imigração, e a descentralização, a autonomia, desejada pelos cafeicultores, para agilizar e financiar a imigração. 

A oligarquia paulista do café lançará em 1870 o Manifesto Republicano, e se lançará à Campanha Republicana, visando um Estado federativo, que resolvesse o problema de mão-de-obra complementar à escravidão. 




 O Exército 
 
Outra força que se conjugará a luta contra o regime monárquico será o Exército. Este, havia se organizado de forma absolutamente nova, moderna, para as condições brasileiras. A Guerra do Paraguai (1865-70) trouxera essa necessidade. 

A partir de então o Exército tinha uma estrutura hierárquica baseada no mérito, não nos favores pessoais, como o resto da sociedade e dos Estados brasileiros.

Este fator tornou o Exército o principal canal para as camadas médias realizarem sua aspiração de ascensão social, bem como deu a seus membros um “espírito de corpo”, que os levava a uma crescente confrontação com a aristocracia rural e suas instituições militares, como a Guarda Nacional e a Marinha, bem como com a sua estrutura de poder político, a Monarquia escravista. Isso gerou crises no relacionamento do Exército com o governo, conhecidas como a Questão Militar. 





A Igreja 

Pela Constituição de 1824, foi instituído o Padroado, que tornava oficial e única a Religião Católica. 

Contudo, o Estado poderia interferir nos assuntos da Igreja. Uma divergência entre a Igreja e o governo sobre a Maçonaria , levou ao conflito conhecido como Questão Religiosa, que desgastou o Império. 




A Abolição 

Tendo como função principal a manutenção da escravidão, a crise desse sistema e as pressões sociais pela sua total extinção, o Império é levado a um beco sem saída. 

Várias leis foram feitas para postergar uma decisão, que quando tomada – Lei Áurea, 1888 – afastou definitivamente a aristocracia que apoiava a Monarquia, e foi vista com indiferença pelos que queriam a abolição, significando o completo isolamento político do regime e sua iminente queda. 




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